quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Sondas Voyager continuam desbravando o Universo



Em agosto de 2012 a Voyager 1 foi para onde nenhum objeto feito por seres humanos foi antes: cruzou a “heliopausa”, a borda mais externa da heliosfera do Sol, e entrou no espaço interestelar. Antes que a Voyager 1 deixasse a bolha do território dominado pelo Sol, ela coletou nossos primeiros dados sobre as fronteiras frias e escuras que marcam o limite interestelar. Agora, a Voyager 2 está fazendo a mesma viagem – passando pela camada externa de nossa heliosfera, em direção a tudo o que está além dela. Mas cinco anos depois, essa viagem está se tornando algo notavelmente diferente.
“O limite onde a Voyager 2 está saindo da heliosfera é bem diferente do que o da Voyager 1”, explica Ed Stone, ex-diretor do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA. “O que torna as comparações e extrapolações bastante incertas”.

Descobertas diferentes

Stone está fazendo essas comparações de qualquer maneira. Tendo trabalhado na primeira missão desde 1972, ele sabe melhor do que a maioria quão preciosos e únicos são os dados coletados. Como ele explicou durante uma palestra na American Geophysical Union Conference, as diferenças entre o que as duas sondas estão vendo quando passam pelos confins da heliosfera oferecem um vislumbre sem precedentes na estrutura dessa bolha de estrelas que chamamos de lar.
No centro desta bolha está o Sol, que emite fluxos de partículas de alta energia, chamados de vento solar. À medida que se dissemina no vácuo do espaço, o vento solar forma algo um pouco como uma atmosfera planetária, só que muito maior. Isso é chamado de heliosfera.
Como a atmosfera da Terra, as coisas dentro da heliosfera são separadas das coisas fora – neste caso, um vento interestelar composto de partículas diferentes deixadas por estrelas mortas – por um campo magnético. A grosso modo, o campo magnético do Sol borbulha em uma região do espaço 100 unidades astronômicas (UA) de largura (1 unidade astronômica é a distância entre a Terra e o Sol). 
Mas a bolha não é hermética. O espaço interestelar e a heliosfera interagem, principalmente, em uma região vasta e mal estudada chamada “heliosheath”. É esta região do espaço que a Voyager 2 está agora atravessando. Como Stone explicou em sua palestra, os dados recentes da sonda espacial oferecem novas ideias sobre o que está acontecendo lá.

Ambientes diferentes

Quando a Voyager 1, que é dirigida para o norte do equador solar, atravessou a heliosheath entre 2004 e 2012, testemunhou um aumento constante de partículas de alta energia, chamadas raios cósmicos galácticos (GCRs, na sigla em inglês). Mas a segunda sonda, que agora está passando pela heliosheath pelo sul, não está vendo este aumento. “Com a Voyager 1 essa intensidade [de GCRs] dobrou quando passamos pelo último trecho”, disse Stone. “Com a Voyager 2, a intensidade é muito plana no tempo”.
Stone suspeita que a discrepância tem a ver com o fato de que estamos agora em uma fase mais ativa no ciclo solar. Os GCRs são intrusos interestelares. Eles atravessam nossas fronteiras em maior número quando o vento solar é fraco. Esse foi provavelmente o caso quando a Voyager 1 estava fazendo esta viagem.
“Quando a Voyager 1 estava na heliosheath, havia atividade solar relativamente baixa”, explicou Stone. “A Voyager 2 está na heliosheath quando muito está acontecendo – há um monte de coisas que vêm do Sol.” Como resultado, estamos agora aprendendo quão forte nossa bolha pode ser enquanto uma barreira.
Dados da Voyager 2 mostram que dentro da heliosheath, o vento solar está ficando retorcido e desviado, formando uma cauda longa, semelhante a um cometa.
Isso é algo que os cientistas esperavam ver, com base em nossa compreensão teórica do que acontece quando o vento solar incide no vento interestelar. Mas a primeira sonda não registrou mudanças na direção do vento. “A Voyager 1 estava em uma zona de estagnação”, disse Stone. “O vento diminuiu, mas não girou. Mas a Voyager 2 está em um lugar diferente, e também um tempo diferente”.

A viagem continua

A Voyager 1, a uma distância de 137 UA, dirige-se para a constelação de Ophiuchus no norte, enquanto a Voyager 2, 113 UA para fora da estrela doméstica, está a caminho da constelação de Pavo, no sul. Suspeita-se que a Voyager 2 entrará no espaço interestelar dentro de um ano ou dois, mas ninguém tem certeza.
“Temos uma expectativa de quando ela atravessará a heliopausa, mas ela é baseada na Voyager 1, e sabemos que onde a Voyager 2 está é diferente”, disse o pesquisador.
Mas Stone não se importa de esperar. “Estamos aprendendo como as estrelas interagem com o que está lá fora”, disse ele. “Tínhamos ideias e modelos, agora temos dados”.
Mas por quanto tempo as sondas manterão contato com nosso pálido ponto azul? Ambas as naves espaciais são alimentadas pelo decaimento radioativo do plutônio-238, que tem uma meia-vida de 88 anos. A realidade brutal é que todos os anos, as naves espaciais têm menos poder para trabalhar do que no ano anterior. “Nós já desligamos um monte de coisas, e vamos ter que continuar desligando conforme o tempo passar”, diz Stone.
Mas, se tudo correr bem, teremos mais algumas décadas antes delas desaparecerem no vazio. Até esse dia, as missões Voyager continuarão ensinando-nos sobre a nossa bolha cósmica, e sobre a imensidão que está além. Por agora, a viagem continua. 

Astrônomos anunciam descoberta de novo sistema solar que pode conter água - e vida


  Direito de imagem ESO - Planetas "e", "f" e "g" teriam mais chances de conter água em estado líquido 

Astrônomos europeus e americanos anunciaram a descoberta de sete planetas do tamanho da Terra, situados a apenas 40 anos-luz de distância. Três deles, de acordo com os cientistas, poderiam ter água em suas superfícies, o que poderia resultar na existência de vida.
O sistema, formado em torno da já conhecida estrela-anã superfria TRAPPIST-1, tem o maior número de planetas de dimensões semelhantes aos da Terra já encontrados e o maior número de mundos com condições favoráveis à existência de água.
A descoberta foi anunciada na revista científica Nature.
Para encontrar os planetas, os cientistas usaram telescópios em terra e no espaço, incluindo o Grande Telescópio ESO, no Chile. Os corpos celestes foram localizados quando passaram em frente à estrela, que tem tamanho e brilho menores que o Sol - a TRAPPIST-1 tem apenas 8% da massa solar e é apenas um pouco maior que Júpiter.

Temperatura semelhante

A passagem dos planetas causou oscilações no brilho da TRAPPIST-1 e permitiu aos astrônomos deduzir informações sobre tamanho, composição e órbita destes mundos, bem como as temperaturas - em pelo menos seis planetas, elas seriam semelhantes às da Terra.

Direito de imagem ESO -
Image caption Estrela-anã é bem menor que o Sol, conforme mostra essa 
"A energia de estrelas-anãs como a TRAPPIST-1 é muito mais fraca que a do Sol, e os planetas em sua órbita teriam que estar em órbitas muito mais próximas que a do Sistema Solar para que houvesse a existência de água. Mas este tipo de configuração compacta é justamente o que vemos nesse sistema", explica um dos autores do estudo, Amaury Triaud, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.
As órbitas dos planetas são mais próximas da estrela-anã do que a de Mercúrio junto ao Sol, mas as dimensões reduzidas da TRAPPIST-1 fazem com que esses planetas recebam uma quantidade de energia similar a de planetas como Vênus, Terra e Marte. 

Direito de imagem ESO
Image caption Impressão artísitica mostrando o sistema de TRAPPIST-1; astrônomos creem que três dos sete planetas podem conter água líquida
Os corpos celestes também têm períodos de translação bem menores que os do Sistema Solar. O mais próximo da estrela (TRAPPIST-1 b), por exemplo, completa a volta em torno da estrela em menos de dois dias terrestres - Mercúrio, por exemplo, leva cerca de 88.
Todos os sete planetas descobertos nesse sistema podem potencialmente conter água em suas superfícies, mas modelos climáticos feitos pelos astrônomos sugerem que os planetas batizados até agora apenas de TRAPPIST-1 e, f e g estão no que a astronomia determina como uma possível "zona habitável" - órbitas em que a superfície pode conter água líquida sob as condições ideais de pressão atmosférica.
Os cientistas acreditam que a descoberta dos planetas torna TRAPPIST-1 um alvo de estudo importante para a busca da existência de água e mesmo vida fora da Terra. 
Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/geral-39053134?ocid=socialflow_facebook

Nasa descobre sistema solar com 7 planetas parecidos com a Terra

Três desses planetas estão na zona habitável. A expectativa é que eles possam ter oceanos de água em forma líquida


São Paulo – A Nasa anunciou hoje que encontrou o primeiro sistema solar com sete planetas de tamanho similar ao da Terra pela primeira vez na história. O sistema foi encontrado a cerca de 39 anos-luz de distância–uma distância relativamente pequena em termos cósmicos.
Dos sete planetas, três estão dentro de uma zona habitável, onde é possível ter água líquida e, consequentemente, vida. Os astros mais próximos do seu sol devem ser quentes demais para ter água líquida e os mais distantes devem ter oceanos congelados.
Os planetas orbitam uma estrela anã chamada Trappist-1, que é similar ao Sol e um pouco maior do que Júpiter. Segundo a agência espacial, os astros têm massas semelhantes à da Terra e são de composição rochosa. A expectativa da Nasa é que, na pior das hipóteses, ao menos um dos planetas tenha temperatura ideal para a presença de oceanos de água em forma líquida, assim como acontece na Terra.
As observações preliminares indicam que um dos planetas pode ter oxigênio em sua atmosfera–o que possibilitaria a realização de atividades fotossintéticas por lá. Para que haja vida como concebida por nós, no entanto, é preciso a presença de outros elementos na atmosfera, como metano e ozônio.
Segundo o estudo, que foi publicado na revista Nature, há chances de os cientistas encontrarem vida nesses planetas. “Não é mais uma questão de ‘se’, mas uma questão de ‘quando'”, disse Thomas Zurbuchen, administrador da Direção de Missão Científica da Nasa, na coletiva que anunciou a descoberta.
Telescópios na Terra e o Hubble, um telescópio espacial, poderão analisar em detalhes as moléculas das atmosferas dos planetas. Nessa exploração, o Telescópio James Webb, que será lançado ao espaço em 2018, terá papel fundamental. Ele será equipado com luz infravermelha, ideal para analisar o tipo de luz que é emitida da estrela Trappist-1.
Quando o novo telescópio da European Space Organisation começar a funcionar, em 2024, será possível saber se há realmente água nesses planetas.
Ilustração de como pode ser um dos planetas recém-descobertos pela Nasa orbitando a estrela Trappist-1

Mesmo que os pesquisadores não encontrem vida nesse sistema, ela pode se desenvolver lá. O estudo indica que a Trappist-1 é relativamente nova. “Essa estrela anã queima hidrogênio tão lentamente que vai viver por mais 10 trilhões de anos–que é sem dúvida tempo suficiente para a vida evoluir”, escreveu Ignas A. G. Snellen, do Observatório de Leiden, na Holanda, em um artigo opinativo que acompanha o estudo na revista Nature.
Apesar da similaridade entre a Terra e os planetas do sistema recém-descoberto, a estrela Trappist-1 é bem diferente de nosso Sol. A estrela tem apenas 1/12 da massa do nosso Sol. A sua temperatura também é bem menor. Em vez dos 10 mil graus Celsius que nosso Sol atinge, o Trappist-1 tem “apenas” 4.150 graus em sua superfície.
De acordo com o New York Times, a estrela também emite menos luz. Um reflexo disso seria uma superfície mais sombria. A claridade durante o dia, por lá, seria cerca de um centésimo da claridade na Terra durante o dia. Uma dúvida que paira sobre os cientistas é qual seria a cor emitida por pela Trappist-1. Essa cor pode variar de um vermelho profundo a tons mais puxados para o salmão.

Como foi feita a descoberta

Tudo começou em 2016, quando Michael Gillon, astrônomo na Universidade de Liège, na Bélgica, descobriu três exoplanetas orbitando uma estrela anã. Ele e seu grupo encontraram os astros após notar que a Trappist-1 escurecia periodicamente, indicando que um planeta poderia estar passando na frente da estrela e bloqueando a luz.
Para estudar a descoberta mais a fundo, o pesquisador usou telescópios localizados na Terra, como o Star, da Universidade de Liège, o telescópio de Liverpool, na Inglaterra, e o Very Large Telescope da ESO, no Chile. Já no espaço, Gillon usou o Spitzer, o telescópio espacial da Nasa, durante 20 dias.
Com as observações no solo e no espaço, os cientistas calcularam que não havia apenas três exoplanetas, mas sete. A partir dessa análise, foi possível descobrir o tempo de translação, a distância da estrela, a massa e o diâmetro dos sete astros. De acordo com os pesquisadores, ainda é preciso observar o sistema solar por mais algum tempo para saber novos detalhes, como a existência de água líquida.
Exoplanetas
A descoberta de exoplanetas, aqueles que orbitam estrelas que não sejam o Sol, está em ritmo bastante elevado. Até poucas décadas atrás, cientistas imaginavam que estrelas deviam ter planetas orbitando, mas não contavam com ferramentas técnicas apropriadas para a descoberta. Nos últimos 20 anos, com as descobertas acontecendo sem parar, cientistas já atingiram a marca de 3.400 exoplanetas catalogados. Saiba mais: 5 fatos impressionantes sobre exoplanetas (e a busca pela vida no espaço)
“Nos últimos anos, evidências de que planetas do tamanho da Terra são abundantes na galáxia se acumulam, mas as descobertas de Michael Gillon e de seus colaboradores indicam que esses planetas são ainda mais comuns do que se pensava”, segundo o astrônomo Ignas Snellen. Snellen não estava envolvido na descoberta e publicou sua opinião em um artigo na Nature.
Para cada planeta que avistamos na Terra, existem de 20 a 100 mais deles que não conseguimos ver do nosso mundo por não passarem em frente de sua estrela principal, segundo o pesquisador.

Fonte: http://exame.abril.com.br/ciencia/nasa-descobre-sistema-solar-com-7-planetas-parecidos-com-a-terra/

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Seminário Contra a Reforma da Previdência

Seminário nacional da CSP-Conlutas contra reforma da previdência reforça necessidade de campanha unificada e a não negociação da reforma


“Isso não é reforma é desmonte”, afirmou a auditora fiscal Maria Lúcia Fattorelli no Seminário Nacional contra a Reforma da Previdência organizado pela CSP-Conlutas no último sábado (4), no auditório do hotel Jaraguá em São Paulo.

Em uma reunião atípica, a Coordenação Nacional da Central dedicou um dia ao debate sobre a reforma da Previdência, para deflagrar uma campanha unitária, em todo o país, com o objetivo de barrar mais este ataque do governo Temer.

Estavam inscritas no evento 593 pessoas, representando aproximadamente 200 entidades e movimentos sociais.

A mesa de abertura, “A Seguridade Social é um direito; A dívida pública é um saque. Diga não à Reforma da Previdência!”, contou com a presença de Maria Lúcia Fattorelli, ex-auditora fiscal e coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida; Sara Granemann, professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro); Vilson Antonio Romero, presidente do Conselho Executivo da Anfip (Associação Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil) e o servidor público Paulo Barella, representante da SEN (Secretaria Executiva Nacional) da CSP-Conlutas.

Previdência não é deficitária

Romero provou com dados apurados anualmente pela Anfip que não há déficit na Previdência, o que há é uma manobra, baseada em mentira, do governo nos cálculos divulgados na mídia.

Alertou que o governo exclui da Previdência todas as receitas que compõem a Seguridade Social, responsável constitucionalmente pela Saúde, Assistência Social e Previdência.

“Governo faz contabilidade criativa dando pedalada ao misturar dados e não especificar essa conta”, ironizou.

O cálculo apresentado pelo governo soma apenas as contribuições dos trabalhadores e das empresas ao INSS. Os impostos previstos para o financiamento do sistema, como Cofins, CSLL, PIS/PASEP e jogos de loteria federais não são computados. “mas deveria”, reforça Romero.

“Não tem déficit, tem superávit”, apontou o auditor ao mostrar a superávit dos últimos cinco anos, com R$ 11,4 bilhões somente no ano de 2015, apesar do alto índice de desemprego e do crescimento do trabalho informal e a desoneração de impostos às empresas observados neste ano.

Além dessa manobra nos cálculos, o auditor salientou o de 20% para 30% de retirada das verbas da Seguridade Social por meio da DRU (Desvinculação das Receitas da União) e aumentou as isenções fiscais aos patrões.

Romero chamou atenção que os servidores mantêm sua própria Previdência apesar de o governo afirmar o contrário.

“Isso tem a cobiça do mercado”, frisou ao denunciar o interesse do mercado por uma fonte de recursos paga pelos trabalhadores durante toda a vida ativa, e os bancos privados são os maiores interessados. “A cada momento que achata o benefício da Previdência Social, o mercado abocanha uma fatia e crescem os fundos de previdência privada”, ressaltou.

O roubo da dívida pública

“Na prática, essa reforma representa um calote. O governo receberá por anos a contribuição previdenciária do trabalhador e não devolverá esse dinheiro”, afirmou Maria Lúcia Fattorelli.

De acordo com a especialista, o governo descumpre a Constituição ao fazer essa conta distorcida para, na prática, financia os banqueiros, por meio de uma dívida pública cujos juros são os mais altos do mundo. “A quem interessa juros tão altos senão aos banqueiros?”, questionou, acrescentando que outro desvio vergonhoso de verba é o aumento do percentual do DRU que vai para pagar dívida com os mesmo banqueiros.

A representante da Auditoria Cidadã denunciou que essa dívida pública é um roubo mascarado cometido por esses governos e que se agrava com a reforma do governo Temer.

Disse mais: “De fato há um superávit nas contas da Seguridade Social e, por obrigação, o governo deveria investir esses superávits anuais em melhorias na área social, como melhorar as aposentadorias públicas, a saúde, a assistência social”.

Além dessa abordagem do roubo que embutido na dívida pública, Fattoreli salienta que a impossibilidade de acúmulo de pensão e aposentadoria é outro roubo ao trabalhador. “Isto é um verdadeiro calote, se um casal paga por toda sua vida ativa a previdência, é claro que na morte de um deles o outro tem o direito a receber a pensão”, ressaltou e atacou ainda os baixos valores pagos a pensões por morte. “Pensão por morte inferior a um salário mínimo numa das maiores economias do mundo. O que é isso?”, questionou.

De acordo com Fattorelli, essa política de desmonte da Previdência irá destruí-la de vez, pois perderá a credibilidade do benefício desviando os trabalhadores para contribuir com a previdência privada. “Essa reforma prejudica trabalhadores, finanças públicas, municípios, mas é muito boa para o mercado financeiro”, afirmou.

“Vivemos sob um modelo tributário que onera a classe trabalhadora e isenta as grandes fortunas e as empresas do país”, denunciou.

Além de defender uma auditoria urgente nas verbas da Seguridade Social, Fattorelli convidou todas as entidades presentes e a CSP-Conlutas para participar da consulta popular que vem sendo organizada pela Auditoria Cidadã da Dívida sobre a reforma da Previdência.

Capitalismo privatiza para sobreviver

“Essa é uma declaração de guerra aos trabalhadores”, frisou a professora Sara Granemann ao abordar a perversidade contra os trabalhadores contida na reforma da Previdência do governo Temer.

Denunciou que essa proposta de Previdência, elaborada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), tem como um dos pontos altos a desoneração do trabalho para empresa, o que para os trabalhadores significará menos direitos e a quebra da Previdência Social.

Sara chamou atenção ao fato de que essa reforma é a que ataca a classe trabalhadora separadamente em seus diversos segmentos, mas o conjunto da classe; e também é uma orientação da receita internacional neoliberal para privatizar a Previdência Pública: incide sobre todos os regimes, sobre homem, mulher, trabalhador rural, da cidade, do setor público, privado, os que ainda não entraram no mercado e os da ativa, pensionistas e aposentados. “As anteriores não fizeram isso”, reforçou.

Acredita que em contrapartida é importante a organização de uma luta de todos os trabalhadores para barrar este ataque. “Talvez, pela primeira, vez, possamos nos juntar numa única luta como classe”, completou Sara.

Além de mencionar os ataques aos diversos regimes próprios que compõem a Previdência, outro ponto relevante apontado pela professora Sara é o funcionamento do capitalismo: “Precisam sempre encontrar espaços de alocação para novos negócios. Pra onde o capital pode crescer?”, perguntou. Lembrou então a política aplicada pelo neoliberalismo desde a década de 1990 aos dias de hoje no Brasil. “Privatizaram a indústria, depois os mercados financeiros, depois os serviços, como as rodovias, pedágios e outros e, agora, privatizam os serviços sociais”, denunciou, lembrando que querem privatizar a água também em diversos países e no Brasil. “Daqui a pouco vão engarrafar o ar que respiramos e pagaremos por ele”, disse, apontando a perversidade do sistema capitalista.

Sara denunciou que o interesse na área de serviços da Previdência se deve principalmente à lucratividade e à ausência de risco para os banqueiros. “É um investimento de longo prazo, a massa de recursos acumula e aumenta todos os meses, e só será retirado num prazo de 40anos, 20 anos e muitos não retirarão o benefício”.

Greve Geral, já!

Barela reforçou que essa reforma significa ataques históricos aos direitos dos trabalhadores e a necessidade de ampliação dessa luta unitária, culminando com uma Greve Geral, já. “A única saída contra essa reforma é construir a unidade da classe trabalhadora para fazer o enfrentamento. Exigimos das centrais que não negociem a reforma e que venham para as ruas e construam a Greve Geral”, convocou as Centrais.

Unidade de ação

Com um seminário aberto, a parte da tarde foi dedicada ao debate “Unidade de ação para barrar a Reforma da Previdência”, buscando desde aquele momento a ampliação da campanha nacional contra a reforma da Previdência.

A mesa contou com a participação dos expositores Cezar Britto, ex-presidente nacional da OAB, Jorge Luiz Souto Maior, jurista e professor de Direito do Trabalho brasileiro na USP, Roberto Parahyba de Arruda Pinto, presidente da ABRAT (Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas), Erika Andreassy, do MML (Movimento Mulheres em Luta) e José Aureliano Vasconcelos, representante da Cobap (Confederação Brasileira de Aposentados).

Previdência não pode ser lucrativa, tem de ser social

Diante do projeto de reforma da Previdência, o ex-presidente da OAB Cézar Britto questionou se a função do estado é servir ao capital ou atender as necessidades do povo. “O sistema não é lucrativo é um sistema de política pública e social”, afirmou, denunciando que o desmonte que significa a reforma promove um ataque profundo aos poucos direitos conquistados com a Constituição de 1988. “É dever da Seguridade Social investir em assistência, saúde e Previdência por meio da arrecadação de impostos. Portanto, sua função, como parte do Estado, está ligada à redistribuição de renda e não a dar lucro, como quer o governo”, afirmou.

Britto defendeu uma luta ampla e unitária, porque segundo o advogado o ataque é grande. “Quem poderia imaginar que se fizesse uma proposta de 49 anos pra se aposentar. É o tempo da resistência, não é tempo pra covardes”, desafiou.

Uma reforma perversa para a mulher trabalhadora

Érika Andressay abordou a situação da mulher trabalhadora no Brasil e o quão a reforma da Previdência irá prejudicá-la. “A reforma será ainda mais perversa para as mulheres”, afirmou.

Ao equiparar as idades, o governo desconsidera a superexploração a que as mulheres estão sujeitas. Elas recebem apenas 76% do salário dos homens para a mesma ocupação (e apenas 40% no caso das trabalhadoras negras), além de desempenharem dupla jornada (trabalho fora de casa e afazeres domésticos).

Também desconstruiu mitos de que as mulheres vivem mais e se aposentam mais cedo, de que a tecnologia diminuiu o trabalho doméstico e outros, num contexto em que a mulher trabalhadora contribui com 44% do INSS e recebe 33% do benefício.

A pesquisadora convocou o “exército!” das mulheres trabalhadoras para estar integralmente nesta luta.

Direitos são vistos como custos

O jurista Jorge Luiz Souto Maior, professor de Direito da USP resgatou que ainda vivemos num país com a concepção escravagista. “O problema é que no Brasil não se conseguiu libertar o período escravista e os direitos são vistos como custos”.

Ao diminuir o custeio da reforma impõe uma lógica de aumento a acidentes de trabalho, doenças e desemprego. Sugeriu a inversão dessa lógica e que a Previdência cumpra efetivamente seu papel originário. “Ao invés de cortar custos, o governo tem de cobrar a dívida de quem deve à Previdência”.

O jurista defendeu a inaceitabilidade da reforma da Previdenciária.

Arruda Pinto afirmou a posição de combate da Abrat contra “essas reformas que miram centralmente os direitos básicos e minimamente dignos da classe trabalhadora brasileira”.

Coadunando com outros palestrantes, alertou o trabalho análogo à escravidão vivido por parcela importante dos trabalhadores brasileiros, a situação da mulher negra que recebe cerca de 50% de salário do homem branco e que a reforma aprofundará essa superexploração.

“A Abrat é contra essa reforma da Previdência, nenhum ponto é aceitável. Nem da reforma da previdência nem da trabalhista”, finalizou o representante da Abrat.

Aposentado e trabalhador da ativa juntos

Vasconcelos da Cobap reforçou a unidade na luta de aposentados e trabalhadores na ativa. “Precisamos lutar, os aposentados precisam muito de vocês. A Cobap vai estar onde vocês estiverem, onde estiverem estaremos juntos”.

“Esse pacote é mais uma ação que faz parte de um projeto maior. Reforma da Previdência, ajuste dos estados, reforma Trabalhista, terceirizações, é projeto de contarreforma do Estado que não foi interrompido por nenhum governo ainda que aplicado de forma distintas”, salientou Eblin Farage pela SEN, resgatando os ataques sofridos na previdência dos trabalhadores desde a implantação do neoliberalismo.

Diante deste contexto, a dirigente defendeu que as ações do movimento devem deixar de ser fragmentadas e defender uma Previdência pública e estatal para todos.

Eblin reforçou o chamado à construção das lutas unitárias com as Centrais, mas defendeu a necessidade de ampliação dos esforços. “Neste momento há de ter a intensificação da luta que vai ter de se expressar nas ruas. Se não formos, vamos ter mais direitos retirados”, setenciou.

“Pra nós a Previdência social não é mercadoria, vamos dizer não e vamos dizer não juntos”, finalizou a dirigente da SEN.

A continuação do seminário foi com a saudação e o compromisso de entidades presentes a atuarem de forma unitária nesta luta. Entre elas Fenasps, Sintuff (RJ), Corrente Sindical Unidade Classista, Sindsprev-SP e Juntos.

Faça o download dos materiais apresentados pelos expositores:


Reforma do Ensino Médio

 
Ensino Médio em questão: MP da reforma – Salomão Ximenes
É preciso reformar o Ensino Médio brasileiro? Por que a Medida Provisória 746/2016, que estabelece a reformulação do Ensino Médio, é considerada um equívoco por parte de educadores e entidades da área da educação? Salomão Ximenes, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), comenta essas questões.
Entrevista realizada durante o Debate “O Ensino Médio em questão: encontro da Rede Escola Pública e Universidade”, em 10 de novembro de 2016, na FE-Unicamp.